Os hormônios e as grávidas

Ah, os hormônios!

Criaturinhas sádicas que nos dominam, que invadem nossa mente e capacidade de discernimento, que nos fazem de gato-e-sapato!

Se você já engravidou deve saber do que estamos falando...

Mas se você ainda não engravidou, cuidado! Não ria da desgraça vergonha alheia. Eles ainda irão te dominar. É uma questão de tempo (e gravidez). E não perca seu tempo tentando conhecer seus inimigos (esses sádicos!) pois nada irá te ajudar quando eles atacarem. Mas lembre-se desse conselho importante que lhe darei: RIA DE VOCÊ MESMA! Essa é uma capacidade que você deve desenvolver, pois muitas serão as situações de desgraça vergonha provocada por eles, os hormônios da gravidez!

Acha ques estou exagerando? Então pergunte ao meu marido se teremos um terceiro filho?

"Só adotando" ele irá te responder. Não posso discriminá-lo, tadinho. Ele ficou do meu lado mesmo nos momentos mais difíceis, digo, insanos da gravidez. E continuamos casados até hoje, vejá só!

Ah, os hormônios! Eles foram maus comigo nas minhas gestações!

Mas foi na primeira que o negócio foi mais punkrockhardcore. Mas só porque na segunda eu já tinha aprendido a rir de mim mesma, senão o negócio teria sido igualmente difícil. Por isso, guarde esse meu conselho. Você irá precisar.

Então vamos ao relato pessoal dessa fase de minha vida:

Sou uma pessoa tranquila (opa?). Claro que em situações normais. Você não me verá mais tranquila diante de uma pessoa que fura a fila, por exemplo.

Mas o fato é que na gravidez eu fico muito, muito, muuuuuito, nervosa. Sem paciência alguma.
E os hormônios, sabendo disso, me colocam em situações onde eles sabem que eu vou perder a compostura.

Por exemplo: me fazem contratar um pedreiro que abandona a reforma 1 semana antes da Isabela nascer. Meu marido diz que o pedreiro abandonou a obra porque eu avancei nele e ele teve que me tirar do pescoço do "Seu" Jorge. Eu não concordo. Ele abandonou a obra porque já tínhamos pago o combinado e depois veio pedir mais dinheiro, e aí sim, avancei na jugular do "Seu" Jorge e ele abandonou a obra.

Agora, nada me fez passar tanta raiva (de mim mesma) e vergonha quanto a situação que irei contar a seguir. Vejam só o que os hormônios me fizeram fazer:

Tinha consulta marcada para o final da tarde com meu obstetra. Saí do trabalho direto para o consultório. Deixei o carro no estacionamento de sempre e como cheguei uns 15 minutinhos antes e estava faminta, resolvi passar na lanchonete ao lado do consultório.

Escolhi o que queria e segui para o caixa pagar. Nisso, um dos rapazes que estavam sentados em frente ao caixa esbarrou em minha bolsa. Não querendo justificar, mas foi um esbarrão. Deixei pra lá e fui pegar minha carteira dentro da bolsa, que estava aberta. Mas isso era normal. Eu sempre deixava minha bolsa aberta. Só que não encontrei minha carteira. Saí dali e fui no meu carro procurar para ver se não estava caída no chão. Nada. Voltei para a frente da lanchonete e procurei na calçada para ver se ela tinha caído ali. Nada. Foi quando olhei para dentro e vi o carinha que quase me derrubou olhando pra mim.

Ah, não pensei mais! É claro que ele roubou minha carteira... mas agora, como fazer para recuperar? Não tem jeito, vou ter que perguntar para o cara... Me agachei para ficar na altura dele e lancei um "escuta, não tem outro jeito de fazer isso, então vou ser direta: você está com minha carteira?"

Ele, na mesma calma que eu aparentava, virou e disse: "não."

Eu ainda insisti: "olha, é uma situação complicada. Eu não acho minha carteira na bolsa, olhando para você eu realmente não acho que você a pegou, mas você foi o único que quase me derrubou quando esbarrou em mim. Tô indo por eliminação: ou tá com você ou eu perdi em outro lugar. Já que estamos eu e você aqui, agora, você é minha primeira opção. De novo: você pegou minha carteira?"

- "Não". Responde o cara, e abre a mochila dele para que eu veja. O que não garante nada, porque ele poderia ter colocado em qualquer outro lugar, ou passado para o amigo dele que estava ao lado.

- "Então tá" digo eu, e saio com cara de quem não está acreditando nele.

Ai, que sentimento ruim esse de ter sido roubada e não poder fazer nada!

Seguia angustiada para o consultório, quando o manobrista do estacionamento grita pra mim: "ô moça, tua carteira estava caída dentro do carro. Eu vi na hora em que fui estacionar ele. Tá aqui comigo."

Que raiva daquele manobrista! Ele não me viu indo procurar a carteira no carro???

Ai, que sentimento ruim esse de descobrir que fiz uma enorme de uma cagada!

Carteira recuperada. Agora tinha que fazer alguma coisa com relação ao carinha da lanchonete. Ou não iria conseguir dormir nunca mais. Voltei lá. Dá pra imaginar a cara dele quando me viu de novo, não é?

Me agachei novamente, fiz a cara do gato e botas e disse: então, era a segunda opção... me perdoa?

E ele, com a maior calma do mundo (afinal, ele devia ter certeza que estava diante de uma  grávida  louca) respondeu: te perdôo.

Final da história: paguei o lanche dele e saí de fininho.

Depois, voltando para casa, fiquei lembrando da situação e concluí: ou ele era um anjo enviado para me ensinar a me controlar ou ele tem (ou teve) uma grávida em sua vida. Até hoje não sei qual das opções.

E vou viver sem saber...






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